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“Porto Seguro virou a cidade dos decretos”, criticou a presidente da Casa, Ariana Prates

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Com duas sessões realizadas em seqüência, em função da necessidade de votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) do município, a reunião desta quarta-feira (15/07), destacou-se pelos pronunciamentos inconformados dos vereadores com a situação delicada que o município está vivendo com o agravamento da pandemia do coronavírus no município.

A presidente ressaltou que existe uma comissão criada pela Casa desde o início da pandemia, para acompanhar a crise sanitária, mas que, em nenhum momento, esta comissão foi acionada ou convocada pelo executivo municipal para participar de uma reunião pertinente ou decisão de edição de decretos associados à pandemia. “Porto Seguro virou a cidade dos decretos. Alguns acertados; outros ineficientes e desnecessários. São mais erros do que acertos. Foram diversos requerimentos aqui apresentados com o intuito de contribuir ao enfrentamento da crise, mas nada foi atendido. Não há barreiras sanitárias, medidores de pressão etc., só decretos e pedidos para que a população fique em casa. Todo dia anunciam a chegada de UTIs, agora tá marcado para o dia 25; vamos rezar para que isso aconteça de fato”, desabafou Ariana.

Ariana finalizou lembrando que Porto Seguro é uma cidade diferenciada com 70% de sua economia voltada para o turismo. “É preciso passar confiança e esperança para os empresários e comerciantes. Essas decisões são incompreensíveis. O povo tá parado, padecendo! É preciso respeito. Algo está errado; necessitamos de ações concretas e visíveis. São quatro meses de sofrimento”

A vereadora Lívia Bittencourt se solidarizou com todas as famílias vitimadas pela COVID-19 e citou, em especial, a internação de seis amigos próximos, sendo dois deles em estado grave, precisando, inclusive, serem intubados. Lívia voltou a defender a instalação de barreiras sanitárias nas principais ruas da cidade, principalmente nas ruas próximas às feiras livres. “Precisamos de segurança e tranqüilidade para freqüentar as feiras e o comércio”, destacou a vereadora.

Lázaro Lopes cobrou do governo do estado a instalação de “hospital de campanha” no município. “Já passou da hora; a UPA não tem mais vagas, o HDLEM também não; isso vai resultar em mortes e mais mortes” disse lázaro. Ainda em seu pronunciamento, Lázaro acrescentou que: “a população de Porto Seguro é inteligente o suficiente para entender o que está acontecendo. Apesar de ser da base do executivo, não sou puxa-saco. Não tenho medo de questionar o que está incorreto. Falta diálogo e comunicação. Anunciar a reabertura do comércio para uma data e, sem as devidas justificativas aos empresários e comerciantes que se prepararam para tal, cancelar a medida, às vésperas da reabertura programada, é um desrespeito à toda sociedade”. O vereador comunicou também o fechamento da delegacia, anunciado pela polícia civil, por falta absoluta de condições de atendimento ao público.

O vereador Bolinha condenou os comentários que atribuem aos hábitos da população, a gravidade da pandemia no município. “Culpar a população pelas mortes e pela disparada da doença no município é, no mínimo, insensato, haja vista a falta de planejamento dos órgãos públicos e da falta de leitos de UTIs, prometidos desde o início da pandemia.

Os vereadores Dilmo Santiago e Van Van, lamentaram o estado de abandono vivido pelo distrito de Arraial D’ajuda. “Ainda temos uma expectativa de que as coisas possam melhorar. Espero que a prefeita honre seus compromissos assumidos com os vereadores e a comunidade”, lembrou o vereador Van Van.

Robson Vinhas, bastante emocionado e pesaroso, lamentou a morte de dois taxistas que, segundo o vereador, ocorreram pela falta de leitos de UTIs. “Este governador é um mentiroso. Há meses prometendo essas UTIs e nada. Perdi dois colegas taxistas. São pais de famílias morrendo por falta de assistência médica”, desabafou Robinson.

Por fim, o vereador Nido comunicou que a barreira sanitária instalada no distrito de Trancoso, por obra e iniciativa da comunidade, vem funcionando desde o dia 3 de julho, com voluntários, às vezes recompensados pela própria sociedade, com o pagamento de R$50 a diária, será, a partir de amanhã, controlada pela Secretaria de Saúde do município, de acordo conversas mantidas com o Secretário de Saúde municipal, Kerrys Ruas. O vereador agradeceu a todos que colaboraram para que a barreira fosse instalada, especialmente aos comerciantes e a Luara Lopes, Mariana Grobério e Maria Clara, pelo empenho, mobilização e dedicação.

Estiveram ausentes os vereadores Evaí Fonseca, Hélio Navegantes, Geraldo Contador e Bibi Ferraz; este último, em quarentena e isolamento por ter contraído o COVID-19.

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