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A cultura da “anticultura”

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Após 500 anos de descoberto, o Brasil se depara com um dilema fabricado e bem explorado por uma pseudo-ordem internacional com repercussão mundial, e resultados medíocres para a humanidade.

Trata-se  de um discurso desalinhado que fortalecem as classes dominantes em detrimento às classes menos favorecidas. No caso do Brasil, país com longo histórico de desigualdade social, a situação se agrava mais ainda.

O contexto é político, mas a banalidade é cultural. Estamos vivenciando uma inversão total de valores, em todos os sentidos. O errado é o certo. Mentiras são verdades. O exagero é o ponderado. Enfim, uma inversão total de conceitos e referencias que nos faz acreditar que a face escura da lua é a única parte que podemos observar.

A cruzada contra a nação é escancarada e fomentada por uma parte significativa da sociedade e reverberada por outra minoria manobrada e desinformada, que vão no embalo das fakenews que exploram, de forma ostensiva e planejada, a ignorância alheia, com milícias digitais instaladas nas redes sociais, disponíveis em plataformas de celulares, tablets e aparelhos similares, manuseados neste imenso e varonil Brasil.

É a desconstrução insólita de toda uma produção cultural, cientifica, artística e natural de um povo oprimido, sofrido e que resistiu, em centenas de anos, à dominação, escravidão e submissão aos poderosos.

Malversar e condenar ao limbo, ícones da nossa cultura como Paulo Freire, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Zumbi dos Palmares, dentre outros, além de um negativismo cultural estúpido, trata-se  de uma agressão inútil, abusiva e irreparável ao patrimônio cultural e social brasileiro.

Num país em que a escravidão e as ditaduras foram superadas pela luta silenciosa, por convicção em liberdade e melhores dias, sem derramamento de sangue, sem guerras civis e, sobretudo, respeito às leis e ordenamentos jurídicos da época ; é inaceitável vivenciar o padecimento social diante das agruras, humilhações e angustias pela qual a sociedade vem passando no momento.

Não se trata de política, tampouco de alinhamento ideológico. A democracia permite equívocos e alternância no poder. A questão é de civilidade, história, respeito à cidadania, ao meio ambiente, e à vida. O mal atinge a todos e a letargia também condena a todos.

De repente, como num toque de mágica, num passe hipnótico, esquecemos da necessidade e importância da educação, da fragilidade das minorias negras, indígenas e LGBTQia, dos investimentos científicos, da saúde do povo, da economia arrasada, da qualificação profissional, para que as pessoas se empreguem e arrumem renda. Enfim, é uma amnésia política com conseqüências desastrosas para toda a sociedade.

O foco são as armas, a retirada de direitos em nome do crescimento econômico, o conservadorismo atrasado e banal, o protagonismo desnecessário das Forças Armadas, a linguagem chula, o machismo, o autoritarismo e o descrédito do processo eleitoral, testado e aprovado há mais de vinte anos.

Conceitos e pêndulos há muito abandonados pelas sociedades avançadas e pelas democracias de fato.

Um atraso no tempo para um país que corre atrás dele. Um desperdício de forças e energia em defesa do indefensável. Um circo de horrores gratuito, mas com finalidades e objetivos declarados.  É o mal se apresentando, sem subterfúgios, travestido de salvador da pátria, com terno e gravata.

Possa ser que seja rechaçado, mas os estragos já foram feitos, parte do país aderiu ao discurso e o assumiu como caricato. É uma energia reversa copiada e parcialmente desenvolvida.

Como a esperança é a ultima que morre, sigamos ao ritmo do saudoso Vandré “Caminhando e cantando e seguindo a canção. Somos todos iguais, braços dados ou não. Nas escolas, nas ruas, campos, construções. Caminhando e cantando e seguindo a canção.

Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer”….

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