O Portal de notícias de Porto Seguro

Após quase duas décadas, júri popular de acusados pela morte de professores acontece em Itabuna

0

O aguardado júri popular dos acusados pelo assassinato dos professores Álvaro Henrique e Elisney Pereira ocorre nesta terça-feira (5/05), no município de Itabuna, marcando um dos capítulos mais decisivos de um crime que chocou a Bahia e o país. Após quase 17 anos de espera, familiares, amigos e a comunidade educacional depositam no julgamento a esperança de que a justiça finalmente seja feita.

O crime aconteceu em 17 de setembro de 2009, em Porto Seguro, e teve características de execução premeditada. Na época, os dois professores — que também eram dirigentes sindicais — estavam à frente de mobilizações da categoria, incluindo denúncias de irregularidades na aplicação de recursos públicos da educação e a deflagração de uma greve.

Segundo as investigações, os educadores foram atraídos até um sítio após uma falsa informação envolvendo a família de um deles. Ao chegarem ao local, foram surpreendidos por criminosos e atingidos por diversos disparos, sem qualquer chance de defesa.

Elisney Pereira morreu ainda no local. Já Álvaro Henrique chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos após alguns dias internado.

Edésio, um dos acusados

As apurações do Ministério Público apontaram que o crime teria sido encomendado. Entre os denunciados estão o então secretário municipal de Governo à época, Edésio Lima, apontado como mandante, além de policiais militares que teriam participado da articulação do assassinato. Também foram identificados executores diretos, alguns dos quais morreram posteriormente, em circunstâncias tratadas como possível “queima de arquivo”.

O caso se arrastou por anos na Justiça, com recursos, adiamentos e entraves processuais, prolongando a dor das famílias e alimentando a sensação de impunidade. Agora, com o julgamento sendo realizado em Itabuna, o momento é visto como histórico por entidades sindicais e movimentos sociais, que organizam mobilizações e caravanas para acompanhar o desfecho.

A expectativa é de que o júri popular traga respostas definitivas sobre o crime e responsabilize os envolvidos. Para familiares e colegas de profissão, o julgamento representa não apenas a busca por justiça para Álvaro e Elisney, mas também um marco na luta contra a violência e a impunidade, especialmente em casos ligados à atuação política e sindical.

Quase duas décadas depois, a sociedade volta seus olhos para o tribunal, na esperança de que a memória dos professores seja honrada com a condenação dos responsáveis.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.