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Justificativa do parecer federal para não patrocinar Festival no Capão, virou exigência de Paulo Coelho para realizá-lo

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Nunca na vida poderíamos imaginar que, em pleno século XXI, se posicionar contra o racismo e a favor da democracia, seria motivos para justificar um viés ideológico-partidário. Afinal, isso é óbvio, está implícito; o contrário é que é criminoso.

Quem ataca a democracia ou ofende o povo negro, está cometendo crimes, facilmente identificados na Constituição Federal Brasileira, e em, praticamente, todos os países democráticos, incluindo também as resoluções internacionais, que são bem claras, tanto na defesa da soberania do estado democrático de direito de uma nação, quanto aos direitos humanos em relação às raças.

Em diversos países, como nos Estados Unidos e Inglaterra, esse retrocesso, que viola os direitos constitucionais e humanos, fundamentado por partidos ou líderes conservadores da extrema direita, esse falso “patriotismo” tem encontrado espaço e vem sendo utilizado como viés político-partidário, haja vista a resistência que sofrem movimentos sociais como o “Black Lives Matter (Vidas Negras Importam)”, nesses países e mundo a fora.

O escritor Paulo Coelho e sua esposa Christina Oiticica

Aqui no Brasil, ser antiracista e a favor da democracia é ser contra o atual governo de Jair Bolsonaro. Tal fato ficou mais do que evidenciado, após parecer federal da Funarte, autarquia ligada à Secretaria Especial da Cultura, negar a habilitação do Festival de Jazz do Capão na Lei Rouanet.

O slogan antiracista e a favor da democracia, utilizada na divulgação do festival do ano passado, serviu de justificativa no insólito parecer federal.

E o secretário especial de Cultura, Mário Frias, já deixou bem claro em seus posts no twitter e em declarações nos demais meios de comunicação, que só apoiará atividades culturais, consonantes a linha de pensamento do Governo. Linha de pensamento a qual, assume um papel elitista, nazista, racista e ditatorial ao se confrontar aos movimentos culturais que promovam a democracia e a luta contra o racismo.

E a palavra “nazista” não entra nesse contexto ao léu, pois, no parecer técnico da Funarte, é citado a frase de Sebastian Bach: ” o objetivo e finalidade maior de toda música não deveria ser nenhum outro além da glória de Deus e a renovação da alma”.

Não, Bach não era nazista. O compositor alemão morreu em 1750, ou seja: bem antes do Nazismo, que surge, praticamente, na segunda década do século passado. No entanto, a própria Casa de Bach, em Eisenach, na Alemanha, já apresentou exposição, em 2009, onde descreve o endeusamento nazista por Bach em detrimento do compositor judeu Felix Mendelssohn-Bartholdy, tido como redescobridor da música de Bach.

Intitulada “Sangue e Espírito”, a mostra abordou na época, a instrumentalização de Johann Sebastian Bach como músico nacional e a difamação da música de mendelssohniana por parte dos nazistas.

Enfim, nada é por acaso nesse governo extremista brasileiro, que já teve o assessor do presidente, Filipe Martins, fazendo símbolo nazista e o próprio secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, que precedeu Mário Frias, utilizando discurso semelhante ao do ministro da Propaganda da Alemanha Nazista de Hitler, Joseph Goebbels. Os dois, Filipe e Roberto, foram afastados, em ocasiões diferentes, após repercussão negativa desses fatos.

Nesse sentido, fica entendido, então, para onde deverão ir os recursos da Lei Rouanet e para que a cultura vai servir nesse país em tempos sombrios, quando o famigerado parecer federal da Funarte, em seu teor, cita Deus e músicos eruditos.

Em resposta ao Governo, o escritor Paulo Coelho, se prontificou em financiar o tradicional Festival de Jazz no Capão-BA, por meio da sua instituição, a Fundação Coelho & Oiticica, exigindo apenas que o evento cumpra a sua missão original, a de ser antifacista e pela democracia, demonstrando que será combatido todo esse retrocesso cultural que o país vive nesse atual governo, que tem a maldição do Nazismo por trás desse travestido “patriotismo”.

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