As investigações sobre o escândalo envolvendo o Banco Master ganharam novos desdobramentos nesta semana e reforçam o que autoridades já classificam como uma das mais amplas apurações de corrupção, tráfico de influência e fraude financeira da história recente do país. O epicentro das investigações continua sendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que permanece preso por determinação da Justiça e é apontado como principal articulador de uma organização criminosa investigada pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
Segundo as investigações, um dos principais focos da Polícia Federal está na análise de oito aparelhos celulares apreendidos com Vorcaro. O material tem servido de base para novas fases da operação e revelado uma extensa rede de relacionamentos que alcança figuras influentes dos mais diversos campos políticos, reforçando a tese de um esquema suprapartidário voltado à obtenção de vantagens financeiras e influência sobre decisões do poder público.
Os primeiros desdobramentos atingiram o senador Flávio Bolsonaro. Mensagens obtidas pelos investigadores apontariam conversas relacionadas a um pedido de financiamento superior a R$ 130 milhões para a produção do filme “Dark Horse”, obra que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O conteúdo passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela Polícia Federal no âmbito da operação.
Na sequência, a investigação alcançou o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Partido Progressistas (PP) e uma das principais lideranças do chamado Centrão. De acordo com documentos e mensagens apreendidos, os investigadores apuram indícios de que o parlamentar teria recebido vantagens indevidas em troca de atuação favorável aos interesses do Banco Master. Entre os benefícios investigados estariam viagens, hospedagens de luxo, disponibilização de imóvel e pagamentos periódicos que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais. A defesa do senador nega irregularidades e classifica as acusações como perseguição política.
Nesta quinta-feira (18/06), a Operação Compliance Zero avançou sobre um novo núcleo da investigação. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado. A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal após surgirem suspeitas de que o parlamentar e pessoas próximas teriam recebido vantagens indevidas provenientes do esquema investigado. Durante as diligências, agentes localizaram valores em moeda estrangeira que, convertidos, ultrapassariam R$ 130 mil. Wagner nega qualquer participação em atos ilícitos e afirma confiar no esclarecimento dos fatos.
As investigações apontam que Daniel Vorcaro teria construído uma ampla rede de influência destinada a proteger interesses financeiros do Banco Master junto a órgãos públicos, instituições reguladoras e agentes políticos. A Polícia Federal sustenta que os elementos já reunidos indicam a existência de uma organização criminosa voltada à prática de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e manipulação de mercado financeiro.
Com novas informações surgindo a partir da perícia nos aparelhos eletrônicos apreendidos, investigadores não descartam o surgimento de novos alvos e o aprofundamento das apurações nas próximas etapas da Operação Compliance Zero. O caso já provoca forte impacto político em Brasília por atingir nomes ligados tanto à oposição quanto à base governista, ampliando a percepção de que o esquema investigado transcendia disputas ideológicas e mantinha interlocutores em diferentes correntes do cenário nacional.