EUA e Irã anunciam fim da guerra após mais de três meses de conflito; acordo inclui Líbano e Estreito de Hormuz
Os governos dos Estados Unidos e do Irã anunciaram neste domingo (14/06) um acordo que prevê o fim da guerra entre os dois países, encerrando oficialmente um conflito que, ao longo de mais de três meses, provocou milhares de mortes, abalou a estabilidade do Oriente Médio e gerou fortes impactos na economia mundial. O entendimento foi mediado pelo Paquistão e deverá ser formalmente assinado na próxima sexta-feira, durante uma cerimônia na Suíça.
O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e confirmado posteriormente pelo governo iraniano e pelas autoridades paquistanesas. Pelo acordo, as duas nações se comprometem a interromper de forma imediata e permanente todas as operações militares em curso, incluindo ações relacionadas ao conflito no Líbano, um dos principais focos de tensão paralelos à guerra entre Washington e Teerã.
Um dos pontos centrais do entendimento é a reabertura do Estreito de Hormuz, considerada uma das rotas marítimas mais importantes do planeta para o transporte de petróleo e gás natural. O canal havia sido fechado pelo Irã em resposta aos ataques norte-americanos, provocando uma crise energética global e elevando significativamente os preços dos combustíveis em diversos países. Com o novo acordo, o bloqueio naval será suspenso e a navegação comercial voltará a ser liberada.

O texto também prevê o fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irã e o início de uma série de negociações diplomáticas destinadas a resolver questões pendentes, como o programa nuclear iraniano, a retirada gradual de sanções econômicas e a liberação de ativos financeiros iranianos congelados no exterior. Durante os próximos 60 dias, representantes dos dois países participarão de reuniões técnicas para definir os detalhes da implementação do acordo.
Apesar da celebração internacional, o acordo ainda enfrenta desafios. Um dos principais pontos de preocupação envolve o Líbano. Nos últimos dias, ataques israelenses contra posições ligadas ao Hezbollah em Beirute ameaçaram comprometer as negociações. O governo iraniano exigiu a interrupção das ações militares israelenses no território libanês como condição para a manutenção da paz, enquanto autoridades de Israel já sinalizaram resistência a algumas cláusulas relacionadas à presença militar na região.
A repercussão do anúncio foi imediata nos mercados internacionais. O preço do petróleo registrou forte queda, enquanto bolsas de valores ao redor do mundo reagiram positivamente à perspectiva de normalização do fluxo energético global. Analistas consideram o acordo o avanço diplomático mais significativo desde o início do conflito, em fevereiro deste ano.
Embora ainda existam pontos delicados a serem resolvidos, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano e à segurança regional, o entendimento representa um passo histórico para a redução das tensões no Oriente Médio. Após meses de ataques, ameaças e incertezas, a expectativa da comunidade internacional é que o acordo marque o início de uma nova fase de estabilidade para uma das regiões mais estratégicas e conturbadas do planeta.