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Eleições de meio de mandato nos EUA: Trump enfrenta risco de perder a maioria no congresso

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Disputa desta terça-feira (3/11) pode mudar a correlação de forças em Washington e transformar os dois últimos anos do governo Donald Trump em um período de forte resistência política e dificuldades para aprovar sua agenda.

Os eleitores norte-americanos vão às urnas nesta terça-feira para as eleições de meio de mandato, conhecidas como Midterms. A votação renova todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço das cadeiras do Senado, colocando em disputa o controle político do Congresso dos Estados Unidos.

Embora não seja uma eleição presidencial, o resultado tem importância decisiva para o futuro do governo Donald Trump. O presidente republicano enfrenta o desafio de preservar a maioria nas duas Casas legislativas, em um cenário de desgaste político e insatisfação de parcelas do eleitorado com os rumos de sua administração.

A disputa também será um importante termômetro da aprovação popular de Trump e poderá indicar a força da oposição democrata para os próximos anos.

O que explica as dificuldades de Trump?

O presidente chega à votação enfrentando uma combinação de fatores que preocupa os republicanos.

Entre os principais estão:

* Custo de vida: a inflação e a preocupação dos americanos com o preço dos produtos, combustíveis e serviços têm provocado insatisfação com a política econômica do governo.

* Guerra com o Irã: o conflito e seus reflexos sobre os preços dos combustíveis aumentaram o desgaste da administração.

* Tarifas comerciais: a política de taxação de produtos importados também tem sido apontada como fator de pressão sobre os custos internos.

* Desgaste político: os índices de aprovação de Trump estão próximos dos níveis mais baixos de seu atual mandato, dificultando a campanha dos candidatos republicanos.

Outro fator importante é histórico: tradicionalmente, o partido do presidente perde cadeiras nas eleições de meio de mandato. Isso aconteceu na maioria das disputas desse tipo desde a Segunda Guerra Mundial.

Trump, entretanto, não ficou distante da campanha. Participou de dezenas de eventos pelo país e pediu aos eleitores que votassem nos republicanos como se o próprio presidente estivesse na disputa.

O que dizem as projeções eleitorais?

O cenário mais preocupante para Trump está na Câmara dos Representantes. As projeções divulgadas às vésperas da votação apontam os democratas como favoritos para conquistar a maioria, o que representaria uma mudança importante na condução política do Congresso.

No Senado, a disputa é mais complexa. Embora os republicanos tenham uma vantagem numérica, os democratas apresentam competitividade em estados tradicionalmente republicanos, como Texas, Ohio, Kansas e Maine.

A projeção final do analista Nate Silver, divulgada nesta terça-feira, aponta que os democratas têm boas possibilidades de conquistar as duas Casas, embora o Senado continue sendo uma disputa sujeita a surpresas.

Portanto, a possibilidade de uma vitória democrata simultânea na Câmara e no Senado não pode ser descartada.

Como ficaria o governo Trump se perder o Congresso?

A eventual derrota republicana poderá produzir uma nova configuração política em Washington, com os democratas assumindo o controle de uma ou das duas Casas legislativas.

As consequências seriam significativas:

1\. Na Câmara dos Representantes

Os democratas passariam a controlar as principais comissões legislativas, ganhando poder para convocar autoridades, solicitar documentos, abrir investigações e fiscalizar as ações do governo.

A administração Trump poderia enfrentar uma sequência de audiências e questionamentos sobre suas decisões, especialmente nas áreas econômica, migratória e de política externa.

Também aumentaria a possibilidade de iniciativas de impeachment, embora qualquer tentativa de afastamento dependesse de etapas constitucionais posteriores.

2\. No Senado

Uma eventual maioria democrata teria consequências ainda mais amplas para as nomeações do presidente.

Caberia aos senadores analisar e confirmar indicações para cargos importantes do governo, embaixadas e tribunais federais, inclusive eventuais vagas na Suprema Corte.

Com o controle da Casa, os democratas poderiam dificultar ou bloquear nomeações de interesse do presidente, além de exercer maior influência sobre decisões estratégicas do governo.

3\. Nas relações entre Executivo e Legislativo

Se os democratas conquistarem as duas Casas, Trump poderá encontrar dificuldades ainda maiores para aprovar projetos de lei, estabelecer prioridades orçamentárias e avançar em sua agenda política.

O presidente continuaria com poderes constitucionais importantes, incluindo o direito de veto e a autoridade executiva em diversas áreas. Entretanto, a capacidade de governar por meio de acordos legislativos ficaria bastante reduzida.

A tendência seria de maior confronto político, com disputas sobre orçamento, imigração, tarifas comerciais e política externa. Investing.com +1

Os dois últimos anos de Trump poderão ser diferentes

Uma eventual derrota republicana representaria mais do que uma simples mudança na composição do Congresso. Seria um sinal político de reprovação de parte do eleitorado à condução do segundo governo Trump.

Com os democratas no comando do Legislativo, os últimos dois anos de seu mandato, até janeiro de 2029, poderiam ser marcados por um ambiente de permanente tensão entre a Casa Branca e o Congresso.

Trump teria de negociar mais, enfrentar investigações e conviver com uma oposição fortalecida, interessada não apenas em limitar suas iniciativas, mas também em construir uma alternativa política para a eleição presidencial de 2028.

Há, contudo, uma ressalva importante: mesmo com maioria democrata, não seria possível simplesmente retirar os poderes presidenciais de Trump. O sistema político americano estabelece mecanismos de equilíbrio entre os Poderes, e o presidente manteria instrumentos importantes para defender sua agenda.

Além disso, a aprovação de determinadas leis no Senado exige 60 votos para superar o mecanismo conhecido como filibuster, enquanto a derrubada de um veto presidencial exige maioria de dois terços nas duas Casas.

Uma eleição que ultrapassa as fronteiras americanas

O resultado desta terça-feira terá repercussão internacional. Os Estados Unidos exercem influência decisiva sobre a economia mundial, o comércio internacional, os conflitos geopolíticos e as relações diplomáticas.

Uma derrota expressiva dos republicanos poderá enfraquecer politicamente Trump no cenário internacional, especialmente nas negociações com aliados e adversários dos Estados Unidos.

Por outro lado, a manutenção da maioria republicana nas duas Casas daria ao presidente mais tranquilidade para conduzir sua agenda nos últimos dois anos de governo.

O que está em jogo, portanto, é o tamanho do poder político de Donald Trump na segunda metade de seu mandato. Mais do que escolher deputados e senadores, os americanos estarão sinalizando se desejam manter o atual rumo do governo ou estabelecer um contraponto legislativo capaz de limitar as decisões do presidente.

A votação poderá representar o início de uma nova etapa da política americana, com consequências que certamente ultrapassarão os limites dos Estados Unidos.

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