Grupo passou cerca de 18 horas dentro de imóveis, abriu buracos em paredes, neutralizou alarmes, cobriu câmeras com papel-alumínio e chegou a beber espumante durante ação; prejuízo pode ultrapassar R$ 5 milhões
Um crime digno de roteiro de cinema surpreendeu comerciantes e moradores de uma das regiões mais nobres de São Paulo. Criminosos executaram uma operação cuidadosamente planejada para invadir uma joalheria na Rua Oscar Freire, nos Jardins, e fugir levando uma verdadeira fortuna em joias.
O prejuízo inicialmente estimado é de aproximadamente R$ 5 milhões, mas o levantamento dos produtos levados ainda estava em andamento e o valor final pode ser ainda maior. Até esta terça-feira (13/10), ninguém havia sido preso.

Uma operação de quase 18 horas
O que mais chama atenção é a ousadia e, principalmente, o tempo empregado pelos criminosos.
Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, pelo menos três homens participaram diretamente da ação. O grupo teria chegado por volta das 7 horas da manhã de domingo (11) e permanecido na região até aproximadamente 1h30 da madrugada de segunda-feira (12/10) — praticamente 18 horas executando o plano.
O ponto de entrada não foi a joalheria.
Os criminosos acessaram inicialmente um imóvel em obras na Rua Melo Alves, próximo ao estabelecimento que pretendiam furtar. A escolha do local teria sido fundamental para a estratégia: de dentro do imóvel, passaram a romper paredes e criar uma espécie de caminho clandestino entre os estabelecimentos.
A partir dali, abriram buracos nas paredes, atravessaram duas lojas de roupas e somente depois conseguiram chegar à joalheria, localizada na Rua Oscar Freire. As duas lojas utilizadas como passagem também foram furtadas.
Câmeras cobertas e alarmes neutralizados
A quadrilha também tomou providências para tentar impedir que seus movimentos fossem registrados.
Câmeras de monitoramento foram cobertas com papel-alumínio, enquanto sistemas de alarme foram desativados. Mesmo assim, câmeras externas e outros equipamentos conseguiram registrar parte da movimentação e da fuga dos suspeitos.
Dentro da joalheria, os criminosos tiveram tempo para vasculhar o estabelecimento. As peças estavam em móveis e gavetas e foram retiradas antes da fuga. Segundo as estimativas iniciais, somente as joias representam prejuízo próximo de R$ 5 milhões.
Espumante durante o furto
Outro detalhe reforçou o caráter inusitado do episódio.
Durante as longas horas dentro dos estabelecimentos, os criminosos chegaram a consumir uma garrafa de espumante encontrada no estoque de uma das lojas invadidas. Imagens e relatos obtidos durante a investigação indicam que o grupo agiu com uma tranquilidade impressionante, apesar da dimensão do crime que estava praticando.
A duração da ação também teve uma explicação curiosa: moradores e comerciantes da região aparentemente não estranharam os ruídos provocados pela quebra das paredes porque já estavam acostumados com o barulho das obras no imóvel utilizado pelos criminosos como porta de entrada.
Era, portanto, um cenário praticamente perfeito para mascarar os sons produzidos durante a abertura dos buracos.
Crime descoberto somente depois da fuga
A dimensão do furto só foi percebida depois que os criminosos já haviam deixado o local.
Ao chegar para trabalhar na segunda-feira (12), o gerente encontrou a joalheria completamente revirada e constatou a invasão. A polícia foi acionada e encontrou o caminho aberto pelos criminosos através das paredes dos estabelecimentos vizinhos.
Imagens externas registraram suspeitos deixando a região carregando sacolas e objetos. A polícia agora tenta reconstruir toda a movimentação do grupo antes, durante e depois do crime.

Caçada aos criminosos
O episódio foi inicialmente registrado no 78º Distrito Policial, nos Jardins, como furto qualificado. A investigação também está a cargo da área especializada em crimes contra o patrimônio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), segundo informação divulgada nesta terça-feira.
A perícia foi realizada e impressões digitais e outros vestígios deixados no percurso estão sendo analisados. O sistema de identificação por impressões digitais também deverá auxiliar na tentativa de descobrir quem participou da ação.
Até o início da tarde desta terça-feira (13/10), nenhum dos envolvidos havia sido preso.
O furto impressiona não apenas pelo valor milionário levado, mas pela logística empregada. Os criminosos escolheram um imóvel em obras, transformaram estabelecimentos vizinhos em rota de acesso, romperam sucessivas paredes, neutralizaram equipamentos de segurança e permaneceram durante horas executando o plano.
Uma operação audaciosa, demorada e aparentemente planejada nos mínimos detalhes que agora mobiliza a Polícia Civil de São Paulo na tentativa de identificar os responsáveis e recuperar uma fortuna em joias.