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Policiais envolvidos no assassinato dos professores em Porto Seguro são condenados a 37 anos de prisão; decisão do TJ-BA livra suposto mandante e reacende críticas à Justiça

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O julgamento do júri popular que apurou o assassinato dos professores Álvaro Henrique e Elisney Pereira foi concluído na tarde desta quarta-feira (6/05), no Fórum de Itabuna, no sul da Bahia, com a condenação dos policiais envolvidos no crime. A decisão encerra um longo capítulo marcado por dor, espera e cobranças por justiça — mas também deixa um rastro de indignação.

Os réus levados a julgamento foram considerados culpados pelo Conselho de Sentença e recebeu pena severa, fixada pelo juiz do caso, em regime inicialmente fechado. A sentença foi comemorada por familiares das vítimas e por dezenas de moradores de Porto Seguro que viajaram em caravana até Itabuna para acompanhar o desfecho do julgamento. Do lado de fora do fórum, aplausos, lágrimas e palavras de alívio marcaram o anúncio da condenação.

 

A condenação chega a 37 anos, com agravante no caso de Álvaro Henrique.

A pena foi definida a partir da soma das condenações pelos dois homicídios:

21 anos pela morte de Álvaro Henrique

16 anos pela morte de Elisney Pereira

No caso de Álvaro Henrique, a pena foi agravada em razão de circunstâncias específicas, entre elas o fato de a vítima deixar um filho com deficiência, o que foi considerado pelo Judiciário como fator de maior gravidade social do crime. Os réus foram algemados e conduzidos à penitenciária em Salvador-BA, onde deverão aguardar, presos, possíveis recursos.

Apesar disso, o sentimento de justiça incompleta predominou entre os presentes. Isso porque, em uma decisão de última hora, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) retirou do júri o outro acusado, Edesio, apontado como possível mandante do crime. A medida impediu que ele fosse julgado junto ao executor, frustrando a expectativa de uma resposta mais ampla por parte do Judiciário.

Exclusão de acusado reforça críticas à Justiça

A exclusão de Edésio do julgamento reacendeu críticas à morosidade da Justiça brasileira. Para familiares e representantes da sociedade civil, o fato de o suspeito de ser o mandante ter escapado do banco dos réus, após tantos anos, reforça a sensação de impunidade e fragiliza a confiança nas instituições.

“Esperamos décadas por esse momento. A condenação é importante, mas não é completa. Quem mandou matar também precisa responder”, disse um dos familiares das vítimas, visivelmente emocionado.

O crime, que chocou a região à época, permaneceu por anos envolto em investigações e trâmites judiciais lentos, contribuindo para o desgaste emocional das famílias e da comunidade. O julgamento desta semana era visto como uma oportunidade histórica de dar uma resposta definitiva — expectativa que acabou parcialmente frustrada.

Agora, a cobrança se volta para que o processo envolvendo Edésio tenha andamento célere e que ele seja levado a julgamento o quanto antes. Para muitos, somente com a responsabilização de todos os envolvidos será possível falar em justiça plena.

Enquanto isso, a condenação anunciada nesta quarta-feira entra para a história como um passo importante, ainda que tardio, na busca por justiça — mas também como símbolo das falhas de um sistema que, para muitos, ainda permite brechas para a impunidade.

 

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