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Operação Carbono Oculto expõe brechas no sistema financeiro que alimentaram um megaesquema bilionário do crime organizado

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A Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal, revelou não apenas a dimensão de um dos maiores esquemas criminosos já identificados no país, mas também as fragilidades do sistema financeiro nacional diante da pressão de interesses políticos e econômicos. Com a participação de 1.400 agentes e o cumprimento de 350 mandados de busca e apreensão, a ofensiva desmantelou uma rede que articulava adulteração de combustíveis, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro em escala industrial.

O grupo, com base em São Paulo, na Avenida Brigadeiro Faria Lima — centro nervoso do mercado financeiro brasileiro —, controlava cerca de 1.200 postos de combustíveis, cinco usinas de álcool e até um terminal no Porto de Paranaguá (PR). A engrenagem financeira, porém, foi o que chamou mais atenção: mais de R$ 50 bilhões foram movimentados em fintechs, disfarçados por mecanismos de difícil rastreio, como as chamadas contas bolsão. Somente no BKbank, segundo as investigações, passaram aproximadamente R$ 47 bilhões.

O caso expõe um ponto sensível: a vulnerabilidade criada após o recuo do governo federal em projetos que buscavam ampliar a fiscalização sobre transações financeiras digitais. Sob pressão de uma ala influente do Congresso e de setores do mercado financeiro, medidas que poderiam aumentar a rastreabilidade e transparência das operações acabaram enfraquecidas ou arquivadas. Essa concessão, argumentam especialistas, abriu caminho para que organizações criminosas se apropriassem das mesmas estruturas que facilitam a inovação no setor bancário.

A Operação Carbono Oculto evidencia, portanto, como o equilíbrio entre modernização financeira e fiscalização segue sendo um dos maiores desafios do país. Ao mesmo tempo em que fintechs ampliam o acesso a serviços bancários, a falta de regulamentação mais rígida permitiu que o crime organizado construísse uma teia de negócios aparentemente legítimos, mas sustentados por dinheiro ilícito.

O desfecho da operação marca um duro golpe contra o esquema, mas também deixa um alerta: enquanto o sistema permanecer vulnerável e sujeito a pressões políticas, novos grupos podem ocupar o espaço deixado pelos agora investigados.

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