Porto Seguro intensifica combate ao peixe-leão com incentivo financeiro aos pescadores e registra quase mil exemplares retirados em dois meses
Prefeitura paga R$ 10 por peixe capturado e fortalece a participação dos profissionais da pesca no enfrentamento à espécie invasora, que ameaça o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.
Porto Seguro avança no enfrentamento ao peixe-leão, espécie invasora que representa uma ameaça à biodiversidade marinha. Com uma estratégia que une incentivo financeiro aos pescadores, monitoramento científico e pesquisa, o município começa a colher resultados expressivos no âmbito do Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão.

Nos dois primeiros meses da campanha de incentivo temporário, foram entregues 966 exemplares à Colônia de Pescadores Z-22, sendo 442 em agosto e outros 524 em setembro. A iniciativa prevê o pagamento de R$ 10 por exemplar, medida que estimula os profissionais da pesca a participar ativamente do combate à espécie.
O incentivo concedido pela Prefeitura representa um importante reforço à estratégia ambiental. Além de reconhecer o trabalho dos pescadores, a medida transforma a atividade pesqueira em uma aliada no controle do peixe-leão, criando um estímulo econômico para a retirada dos exemplares do ambiente marinho.
É uma iniciativa que busca conciliar a preservação ambiental com a valorização dos trabalhadores que conhecem, na prática, as águas e os ecossistemas da região.
Incentivo financeiro fortalece a mobilização dos pescadores
Os números registrados nos dois primeiros meses demonstram a adesão dos profissionais à campanha. Somente em setembro, foram entregues 524 exemplares, volume superior aos 442 contabilizados em agosto.
É importante ressaltar que os dados correspondem aos peixes recebidos pela Colônia Z-22, em Porto Seguro, e não necessariamente a capturas realizadas dentro dos limites do município. Segundo relatos dos próprios pescadores, os exemplares vêm sendo retirados de diferentes pontos do Extremo Sul da Bahia.
A campanha também possui uma função educativa. Ao estimular a identificação e a captura do peixe-leão, o programa contribui para ampliar a conscientização dos pescadores sobre os impactos ecológicos provocados pela espécie invasora e a importância de seu controle.
Pesquisa científica e novas possibilidades de aproveitamento
O trabalho não se limita à captura e à retirada dos peixes do ambiente marinho. Os exemplares que apresentam condições adequadas estão sendo encaminhados à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), onde são utilizados em pesquisas científicas.
Em setembro, uma amostra também foi enviada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), abrindo uma nova frente de trabalho voltada ao beneficiamento e à utilização gastronômica do pescado.
A proposta é avançar na construção de alternativas que permitam agregar valor ao peixe-leão e, futuramente, inseri-lo na cadeia produtiva, contribuindo para tornar o controle da espécie uma atividade com potencial de sustentabilidade econômica no médio e longo prazo.

Recife de Fora também recebe atenção especial
No Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, unidade de conservação na qual a pesca não é permitida, o enfrentamento ao peixe-leão exige cuidados específicos. Nesse ambiente protegido, as ações são conduzidas com monitoramento científico e capacitação dos profissionais que atuam no local.
Em setembro, dois exemplares foram encontrados dentro do parque e ambos foram capturados: um pela equipe da UFSB e outro por um profissional de uma operadora de mergulho previamente capacitado.
A atuação demonstra a importância da integração entre poder público, pesquisadores e trabalhadores do turismo náutico para identificar e responder à presença da espécie em áreas ambientalmente sensíveis.
Estratégia que une meio ambiente e atividade econômica
O avanço do Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão evidencia a importância de políticas públicas que associem conhecimento científico, participação comunitária e incentivos concretos.
Ao pagar R$ 10 por exemplar entregue, a Prefeitura de Porto Seguro estimula o engajamento dos pescadores e fortalece uma frente de combate que depende da identificação e da retirada contínua da espécie invasora.
Com quase mil exemplares recebidos nos dois primeiros meses, a campanha apresenta resultados iniciais relevantes e abre caminho para novas etapas, incluindo pesquisa, beneficiamento e aproveitamento gastronômico.
O desafio agora é manter e aprimorar as ações, ampliar a conscientização e consolidar uma estratégia permanente de controle, capaz de proteger a biodiversidade marinha e, ao mesmo tempo, reconhecer o papel dos pescadores na preservação dos recursos naturais da região.