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Sessão da Câmara de Porto Seguro é marcada por críticas ao retorno das aulas e debates acalorados no plenário

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A sessão da Câmara de Vereadores de Porto Seguro realizada nesta quinta-feira (12/02) foi marcada por cobranças contundentes a setores da administração municipal, discussões acaloradas entre parlamentares e aprovação de projeto polêmico. O retorno das aulas na rede municipal dominou boa parte dos debates.

Os vereadores Saulo, Tiago Maciel, Robinson Vinhas, Lucas Nascimento, Bolinha e Cássio Campeche manifestaram preocupação com a situação das escolas, que, segundo eles, enfrentam dificuldades estruturais e administrativas. De acordo com os edis, reformas ainda em andamento e a vacância de cargos como vigias e servidores administrativos têm prejudicado o início regular do ano letivo.

Alguns parlamentares apontaram falta de planejamento por parte da gestão municipal, em especial das secretarias pertinentes, argumentando que o período de férias escolares deveria ter sido suficiente para resolver as pendências. Diante do cenário, chegou a ser sugerida a convocação do secretário de Educação, Luiz Leal, para prestar esclarecimentos à Casa.

Em contraponto, o líder de Governo na Câmara, vereador Rodrigo Borges, atribuiu as dificuldades à escassez de mão de obra. Segundo ele, tanto nas áreas de reformas quanto nos setores administrativos, o município enfrenta baixa adesão às seletivas. Rodrigo argumentou que os salários oferecidos pela Prefeitura não conseguem competir com os da iniciativa privada.

Como exemplo, citou obras em andamento no Litoral Sul, como escolas e hospital, onde cerca de 80% da mão de obra seria oriunda de Paulo Afonso, no Leste baiano, evidenciando a dificuldade de contratação local. O vereador também ressaltou a necessidade de novas licitações para atender a demanda, afirmando que uma única empresa não tem capacidade operacional para suprir todos os serviços necessários.

Outras pautas

Além da educação, a sessão abordou reivindicações para construção de postos de saúde e perfuração de poços artesianos nos distritos de Itaporanga e nos bairros Porto Alegre I e II. Também foram cobradas ações de operação tapa-buracos em diversos bairros e distritos do município, diante das queixas recorrentes da população.

Entrevero no plenário

Um dos momentos mais tensos da sessão ocorreu durante o expediente de homenagens. O vereador Bolinha solicitou um minuto de silêncio em memória dos jovens que morreram afogados no início da semana, na Praia da Boca da Barra, na Orla Norte do município. Ao pedido, o vereador Lucas Barreto acrescentou também homenagem à mãe de um amigo falecido recentemente.

Barreto afirmou ter se sentido desrespeitado por manifestações das vereadoras Lívia Bittencourt e Andressa Carvalho durante o momento solene. “Acho que as vereadoras deveriam ter maior respeito por um momento de grande contrição e dor das famílias”, declarou.

As vereadoras negaram qualquer desrespeito e reagiram às colocações, insinuando que o vereador tentava intimidá-las. Lívia foi mais incisiva ao afirmar: “Quem tem medo de polícia é bandido”, em referência à condição de militar de Barreto, acrescentando que o tipo de abordagem poderia caracterizar violência política de gênero.

Bolinha fez questão de esclarecer que não defendia Barreto, mas cobrou coerência ao se classificar determinadas manifestações como pauta de gênero. “Essa pauta é muito séria e de grande interesse da população para ser vilipendiada”, pontuou.

O presidente da Casa, vereador Dilmo, interveio para conter os ânimos e minimizar os atritos. Em tom descontraído, atribuiu o clima exaltado ao forte calor que atinge Porto Seguro — motivo pelo qual, inclusive, liberou os parlamentares do uso do paletó durante as sessões.

Estacionamento e responsabilidade

Dilmo também realizou a leitura de um termo de cessão assinado entre a Prefeitura e a Câmara, que concede aos vereadores o uso do estacionamento público em frente ao prédio do Legislativo. Diante da repercussão do ato, o presidente assumiu integral responsabilidade pela decisão.

“Foi uma iniciativa exclusivamente minha. Não houve tratativa com outros vereadores. Não tolerava mais a situação de vereadores não terem onde estacionar seus carros. Outros órgãos reservam vagas em frente às suas sedes. Precisávamos resolver essa demanda”, justificou.

Novo cargo no Centro Clínico

Ao final da sessão, foi aprovado projeto do Executivo que cria uma vaga de diretor no Centro de Especialidades Clínicas do bairro Baianão. O vereador Bolinha votou contra, questionando a real necessidade do cargo e levantando suspeita de possível arranjo político.

Mais uma vez, o presidente Dilmo interveio, pedindo compreensão e garantindo que o ocupante da função seria pessoa comprometida com o serviço público. “Esta Casa, a população do Litoral Sul e a comunidade do Baianão agradecerão o que está por vir”, afirmou.

Nos bastidores, comenta-se que o novo diretor poderá ser o vereador Dr. Anderson, que há tempos manifestava desejo de atuar mais diretamente na área da saúde. Com eventual nomeação, sua vaga no Legislativo seria assumida pelo ex-vereador Reinaldo Farofa.

A conferir.

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