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Os Estragos Unidos, FIFA, seleção da CBF e dos patrocinadores e o menino Ney

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Os Estados Unidos construíram sua influência por meio de guerras, intervenções e golpes, do Vietnã, Laos e Camboja à Somália, Iugoslávia, Líbia, Iraque, Afeganistão, Panamá, Chile, Guatemala, Nicarágua e tantos outros casos de ingerência política e militar ao longo do século XX e início do XXI.

No Congo, o assassinato de Patrice Lumumba segue como símbolo brutal da violação da soberania africana. Na Copa, até um dos torcedores congoleses que representava Patrice Lumumba na arquibancada teve o visto negado, o que o afastou de um jogo decisivo da seleção. Isso mostra a total incoerência da terra da liberdade.

A FIFA também afundou em corrupção com nomes como Sepp Blatter, Jack Warner, Chuck Blazer, Mohamed Bin Hammam, Nicolás Leoz e outros dirigentes punidos, investigados ou banidos por suborno, lavagem de dinheiro, fraude e abuso de poder. No Brasil, a CBF ficou marcada por uma sequência de presidentes e escândalos: João Havelange, associado a pagamentos e propinas ligados à ISL; Ricardo Teixeira, banido pela FIFA e investigado por corrupção e lavagem de dinheiro; José Maria Marin, preso e condenado no caso FIFA; Marco Polo Del Nero, suspenso e banido por conduta antiética e investigado no mesmo esquema; Rogério Caboclo foi afastado da CBF após denúncias de assédio sexual, e Ednaldo Rodrigues teve sua eleição anulada pela Justiça por irregularidades no processo eleitoral. Tudo isso corrobora a inexistência de credibilidade da entidade num acúmulo de crises, denúncias e disputas internas por décadas.

Neymar virou símbolo desse futebol fraquíssimo do Brasil: um menino mimado, cercado de marketing, propaganda de bets e polêmicas fora de campo; acusado de sonegação de imposto no Brasil e na Espanha ligadas à transferência para o Barcelona, acusações ambientais etc. Recorrentes lesões, falta de sequência em alto nível e seus episódios de confusão em campo e fora dele reforçam que sua convocação foi interesse comercial de patrocinadores, sobretudo as Bets que ele tanto divulga.

Os Estados Unidos são uma potência marcada por guerras, intervenções e pela lógica do dinheiro, não do futebol, e não deveriam ser tratados como símbolo do esporte mundial. A FIFA é uma entidade corroída pela ganância e por escândalos, e a CBF também carrega uma história de dirigentes investigados, acusados e presos. Já a seleção brasileira, ao transformar Neymar em referência nas últimas Copas, expôs o quanto o país tem aceitado pouco compromisso e muita propaganda como se fosse grandeza. Neymar não serve como ídolo de nada: não é referência moral, não representa disciplina nem entrega, e não deveria ser tratado como símbolo de inspiração. No fim, saímos da Copa com mais vergonha do que entramos.

Texto do colaborador: jornalista, professor e sociólogo – Cristóvão Moura

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