O Hospital Estadual Deputado Luís Eduardo Magalhães (HDLEM), referência hospitalar da Costa do Descobrimento, tem sido alvo de sucessivas denúncias que apontam um cenário preocupante. Pacientes e familiares relatam ausência de leitos, falta de medicamentos e insumos básicos, além de atrasos salariais que estariam comprometendo o funcionamento da unidade.
O quadro chama ainda mais atenção diante do aporte financeiro realizado pelo município de Porto Seguro. Por meio da pactuação tripartite — que envolve União, Estado e Município — a administração municipal contribui anualmente com valores em torno de R$ 11 milhões para a manutenção da instituição. Além disso, o sistema municipal de saúde é apontado como estruturado e eficiente, desenvolvendo ações que impactam diretamente na redução da demanda hospitalar.
Entre as iniciativas municipais estão o fortalecimento da atenção básica, ampliação do atendimento nas unidades de saúde, investimentos em programas de prevenção, acompanhamento de pacientes crônicos e organização da regulação para evitar internações desnecessárias. Essas medidas ajudam a desafogar a média e alta complexidade, colaborando para que o hospital concentre esforços nos casos que realmente exigem internação e procedimentos especializados.

Mesmo com esse suporte e com a contribuição financeira significativa, as reclamações indicam que a realidade enfrentada pelos usuários do HDLEM estaria distante do atendimento humanizado e digno esperado pela população de Porto Seguro e das cidades adjacentes que dependem da unidade como referência regional.
Impasse nas transferências e responsabilidade contratual
Outro ponto que tem gerado tensão envolve a transferência de pacientes para outras localidades com atendimento especializado. O hospital regional estaria solicitando diariamente, de forma verbal, ambulâncias do município para realizar esses transportes.
De acordo com informações repassadas à imprensa, o município passou a exigir que as solicitações sejam feitas formalmente por ofício. A justificativa é que a responsabilidade pelas transferências é da empresa terceirizada contratada para executar esse serviço específico.
“Por que estamos exigindo ofício? Porque é obrigação da empresa terceirizada realizar esses transportes. Se o serviço deles não está funcionando 100%, imagine o restante?”, questiona a fonte.
A gestão municipal esclarece que sempre esteve disposta a colaborar em situações emergenciais e pontuais, mas não pode assumir de maneira contínua uma obrigação que já está prevista em contrato e é remunerada para ser cumprida pela empresa responsável. O questionamento levantado é direto: se os recursos contemplam a execução das transferências, por que o hospital não dispõe de transporte próprio ou estrutura adequada para realizá-las?
Vidas em risco e cobrança por transparência
Relatos de pacientes e familiares apontam demora nas transferências e insegurança quanto ao atendimento, aumentando a sensação de vulnerabilidade. Há registros de casos em que a espera por remoção para unidades especializadas teria colocado vidas em risco.
Diante da gravidade das denúncias, cresce a cobrança por fiscalização rigorosa e transparência na aplicação dos recursos públicos. O HDLEM desempenha papel estratégico na rede regional de saúde, e a população espera que as falhas apontadas sejam apuradas com responsabilidade e que medidas urgentes sejam adotadas para restabelecer a normalidade dos serviços.
Enquanto o município afirma cumprir sua parte, tanto financeiramente quanto na organização da rede básica para reduzir a pressão sobre a unidade, o que se aguarda agora são respostas concretas da gestão hospitalar e dos órgãos competentes para garantir atendimento digno e seguro a quem mais precisa.