Interior da Bahia sofre com fechamento de agências bancárias e população enfrenta longas viagens e filas em busca de atendimento
O fechamento de agências bancárias no interior da Bahia tem provocado um verdadeiro colapso no acesso aos serviços financeiros presenciais, afetando diretamente milhares de moradores e deixando municípios inteiros sem qualquer atendimento bancário. Segundo levantamento do Sindicato dos Bancários da Bahia, dezenas de unidades foram encerradas nos últimos anos, refletindo uma tendência nacional de substituição do atendimento físico por serviços digitais.
Entre as cidades que ficaram sem nenhuma agência bancária estão Bonito, Buritirama, Itagimirim, Itatim, Maiquinique, Mairi, Malhada das Pedras, Olindina, Palmeiras, Pedro Alexandre, Potiraguá, Presidente Tancredo Neves, Rio do Pires, Santa Brígida, Uruçuca e Wagner. Em alguns casos, como Palmeiras, Rodelas e Ipecaetá, o banco que fechou era o único existente no município, deixando a população completamente desassistida.
Além disso, outras cidades como Acajutiba, Adustina, Amargosa, Andaraí, Araci, Baianópolis e Barra do Choça também registraram o fechamento de unidades bancárias, ampliando ainda mais o vazio financeiro em diversas regiões do estado.

O impacto dessa medida é ainda mais severo no interior, onde muitos moradores dependem exclusivamente do atendimento presencial para sacar aposentadorias, receber benefícios sociais ou resolver pendências financeiras. Sem agência na cidade, a única alternativa é viajar até municípios vizinhos, muitas vezes percorrendo dezenas de quilômetros, o que gera custos extras e grandes transtornos, especialmente para idosos e pessoas de baixa renda.
Mesmo com a implantação de correspondentes bancários, como lotéricas e estabelecimentos comerciais autorizados, os serviços oferecidos são limitados e não substituem o atendimento completo de uma agência tradicional. Além disso, a concentração da demanda em cidades que ainda possuem bancos tem provocado aumento significativo nas filas, sobrecarga no atendimento e demora no acesso aos serviços.
Dados do sindicato apontam que o fechamento das agências é parte de um processo de reestruturação do sistema financeiro, com foco na redução de custos e no avanço da digitalização. Atualmente, quase metade dos municípios baianos já não possui nenhuma agência bancária, e cerca de 279 mil pessoas vivem em cidades sem atendimento presencial.
Os bancos justificam a medida alegando a queda na procura pelo atendimento presencial, já que grande parte das operações passou a ser realizada por aplicativos, internet banking e outros meios digitais. No entanto, essa realidade ainda não contempla uma parcela significativa da população, principalmente no interior, onde há limitações de acesso à internet e dificuldades no uso da tecnologia.

Para os moradores dessas regiões, o fechamento das agências representa mais do que uma mudança no modelo de atendimento — significa a perda de autonomia, aumento da exclusão financeira e dificuldades para acessar serviços básicos. A substituição do contato humano por sistemas digitais, embora seja uma tendência irreversível, expõe um abismo entre a modernização do sistema bancário e a realidade de quem vive longe dos grandes centros.
Enquanto isso, comunidades inteiras seguem enfrentando filas, deslocamentos e incertezas, na tentativa de manter o acesso a um serviço essencial que, até pouco tempo, fazia parte da rotina das cidades do interior baiano.