O Portal de notícias de Porto Seguro

Quase um ano sem respostas: morte de “Vitinho” segue envolta em silêncio e indignação em Caraíva

0

No dia 10 de maio de 2025, o distrito de Caraíva, em Porto Seguro, foi palco de uma tragédia que até hoje ecoa em forma de dor, revolta e perguntas sem resposta. Victor Cerqueira, conhecido por todos como Vitinho, jovem negro, guia turístico, nascido e criado na comunidade, foi morto durante uma operação da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) que tinha como alvo um grupo suspeito de tráfico de drogas e armas, homicídios, roubos e outros crimes na localidade.

Passado um ano do episódio, o que se vê é um cenário de morosidade e ausência de conclusões. Um inquérito foi instaurado, diversas diligências foram anunciadas, cerca de 20 pessoas já foram ouvidas, mas até agora nenhuma responsabilização foi definida, nenhum desfecho apresentado à sociedade ou à família da vítima.

Para familiares e amigos, as justificativas apresentadas ao longo do processo não se sustentam. Em nota, a família foi direta ao expressar a indignação com o ritmo das investigações.

“Não se sabe o tal motivo para a demora da finalização das investigações e, inicialmente, da identificação dos investigados. Ainda assim, a defesa entende que o prolongamento do procedimento compromete a efetividade da justiça e agrava a sensação de impunidade”, diz o comunicado.

A nota também reforça que a família e a defesa não descansarão até que os responsáveis sejam identificados e punidos, cobrando das autoridades o tratamento que a Constituição Federal e o Estado Democrático de Direito exigem, sobretudo diante de um caso que envolve violência letal contra um jovem negro inocente.

A comunidade de Caraíva — conhecida pela forte identidade cultural, pelo turismo comunitário e pelos laços de vizinhança — segue profundamente abalada. Vitinho não era apenas mais um nome: era guia, trabalhador, rosto conhecido entre moradores e visitantes. Testemunhos colhidos ao longo do inquérito atestaram sua idoneidade, reforçando a percepção de que ele não tinha qualquer envolvimento com atividades criminosas.

Mesmo assim, permanecem perguntas sem respostas, lacunas nos relatos oficiais e contradições que causam desconforto e revolta entre familiares, amigos e moradores de Caraíva e de Porto Seguro. O sentimento que domina a comunidade é de que o tempo passa, mas a verdade segue parada.

Um ano depois, a morte de Victor Cerqueira não é apenas um caso sem conclusão: tornou-se símbolo da luta contra a impunidade, do clamor por justiça e da cobrança por respostas claras diante de uma ação estatal que terminou em tragédia. Enquanto isso, Caraíva segue perguntando — e esperando — por aquilo que nunca deveria faltar: verdade, responsabilização e justiça.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.