Lula desafia pesquisas, derrota Flávio Bolsonaro e conquista histórico quarto mandato
Presidente contrariou levantamentos que indicavam favoritismo de Flávio Bolsonaro na reta final e amplia seu lugar na história política brasileira
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), derrotando Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno de uma das eleições mais disputadas dos últimos anos. A vitória leva Lula a um feito inédito: o petista chega ao quarto mandato como presidente do Brasil.
O resultado ganha ainda mais repercussão por contrariar o cenário desenhado pela maioria das pesquisas divulgadas na reta final da campanha. Na véspera da eleição, diferentes institutos colocavam Flávio Bolsonaro numericamente à frente, embora vários levantamentos registrassem empate técnico por causa das margens de erro.

No sábado (24), por exemplo, o Datafolha apontava Flávio com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula. A Quaest também mostrava 51% a 49%, enquanto a CNT/MDA indicava 50,7% para Flávio e 49,3% para Lula. O AtlasIntel/Bloomberg registrava 50,8% a 49,2% em favor do candidato do PL.
O favoritismo de Flávio não estava restrito a uma pesquisa isolada. Levantamento realizado a poucos dias da eleição, reunindo 14 pesquisas nacionais, mostrava o senador numericamente à frente em 13 delas, com média de 51,2% dos votos válidos contra 48,8% de Lula.
As urnas, entretanto, contaram outra história.
Lula conseguiu a virada justamente no momento decisivo e frustrou a expectativa criada pelos levantamentos. O resultado também reacende o debate sobre a capacidade das pesquisas de captar movimentos do eleitorado nos últimos dias de uma disputa extremamente equilibrada. É importante observar, porém, que vantagem numérica em uma pesquisa não significa necessariamente previsão de vitória, sobretudo quando os candidatos aparecem dentro ou muito próximos da margem de erro.
A reação da campanha petista na reta final já vinha sendo percebida nas ruas e nas redes sociais. Lula apostou fortemente na mobilização de sua militância, no combate à abstenção e na tentativa de conquistar eleitores que chegaram aos últimos dias ainda sem uma decisão consolidada.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro chegou ao domingo eleitoral embalado pelos números das pesquisas e pela mobilização da direita. O senador conseguiu transformar a eleição numa disputa voto a voto, mas não foi suficiente para impedir a reeleição do adversário.
Lula entra para a história com quatro mandatos
A vitória deste domingo acrescenta mais um capítulo extraordinário à trajetória política de Lula.
Eleito pela primeira vez em 2002, Lula conquistou a reeleição em 2006. Dezesseis anos depois da segunda vitória, retornou ao Palácio do Planalto ao vencer as eleições de 2022. Agora, em 2026, conquista novamente a confiança da maioria dos eleitores e garante o direito de governar o país por mais quatro anos.
Serão, portanto, quatro mandatos conquistados diretamente nas urnas, uma marca inédita para um presidente brasileiro.
Aos 80 anos, Lula demonstra mais uma vez uma capacidade de sobrevivência política que marcou toda a sua trajetória. Depois de enfrentar períodos de enorme desgaste, deixar o poder, retornar à Presidência e agora conquistar uma nova reeleição, o petista amplia ainda mais sua presença na história política nacional.
A eleição de 2026 termina também com uma mensagem importante: numa disputa tão apertada, pesquisas retratam o eleitorado em determinado momento, mas a decisão definitiva continua pertencendo às urnas.
E, neste domingo, quando milhões de brasileiros foram chamados a escolher entre a continuidade de Lula e a chegada de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto, as urnas deram ao petista mais quatro anos no comando do país.
Lula vence mais uma. Contraria o favoritismo apontado pelas pesquisas, derrota Flávio Bolsonaro e chega ao histórico quarto mandato como presidente da República.Os levantamentos da véspera realmente mostravam vantagem numérica de Flávio em Datafolha, Quaest, CNT/MDA e AtlasIntel/Bloomberg. A projeção da vitória de Lula foi divulgada pelo Datafolha durante a apuração deste domingo.