Brasil decide hoje entre Flávio Bolsonaro e Lula quem governará o país pelos próximos quatro anos
Flávio chega às urnas com vantagem numérica nas pesquisas, enquanto Lula aposta na mobilização das ruas e das redes para conseguir a virada; disputa acirrada revela um país novamente tomado pela polarização política
O Brasil vive neste domingo (25/10) um dos momentos mais importantes de sua democracia. Milhões de eleitores voltam às urnas para escolher, no segundo turno, quem comandará o país pelos próximos quatro anos: Flávio Bolsonaro (PL) ou Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Depois de uma campanha marcada por embates duros, intensa disputa nas redes sociais e grandes manifestações populares, chegou a hora de o eleitor dar a palavra final.
Flávio Bolsonaro entra no dia da eleição carregando uma vantagem importante: a maioria das pesquisas divulgadas na reta final o coloca numericamente à frente de Lula. Levantamentos de institutos como Datafolha e Quaest apontaram 51% dos votos válidos para Flávio e 49% para Lula, embora os dois estejam tecnicamente empatados quando considerada a margem de erro. Um levantamento do Poder360 sobre 18 pesquisas recentes mostrou Flávio numericamente à frente em 17 delas.
Os números, portanto, dão ao candidato do PL motivos para confiança, mas estão longe de permitir qualquer antecipação do resultado. A pequena distância registrada por diferentes institutos mostra que cada voto — e principalmente o comparecimento às urnas — poderá fazer diferença.
Do outro lado, Lula chega ao domingo eleitoral apostando na virada.
A campanha petista ganhou forte mobilização nas ruas e nas redes sociais nos últimos dias. Atos realizados na reta final reuniram milhares de simpatizantes, e Lula encerrou a campanha sustentando que seus apoiadores assumiram protagonismo na busca por votos.
Para o presidente, essa movimentação popular alimenta a esperança de contrariar a vantagem numérica apresentada pelas pesquisas e conseguir uma vitória nas urnas.
Mas a mobilização não ocorreu apenas no campo lulista.
Flávio Bolsonaro também levou multidões às ruas, com caminhadas, carreatas, motociatas e manifestações de apoiadores em diferentes regiões do país. No último dia de campanha, atos ligados aos dois candidatos movimentaram cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, além de capitais de outras regiões.
É justamente essa capacidade de mobilização dos dois lados que talvez seja uma das principais marcas desta eleição.
O Brasil chega às urnas dividido entre dois projetos políticos e com um grau de polarização que há muito não era visto com tamanha intensidade nas ruas. De um lado, milhões defendem a continuidade de Lula; do outro, uma parcela igualmente mobilizada aposta em Flávio Bolsonaro como representante de uma mudança no comando do país.
Mais do que uma disputa entre dois candidatos, a eleição acabou se transformando em uma demonstração da força de dois grandes campos políticos que continuarão presentes no cenário nacional independentemente de quem vencer.
E há um recado importante nessa mobilização.
Quem sair vencedor das urnas neste domingo não receberá um cheque em branco da população.
A mesma sociedade que foi às ruas, ocupou as redes sociais, participou de carreatas, caminhadas e manifestações e defendeu apaixonadamente seus candidatos demonstrou que está acompanhando de perto a política brasileira.
As promessas apresentadas durante a campanha estarão na memória dos eleitores. A partir da posse, o vencedor deixará de ser apenas candidato para assumir a responsabilidade de governar um país profundamente dividido e terá pela frente o desafio adicional de buscar a reconciliação nacional.
A disputa termina nas urnas, mas a cobrança começa logo depois delas.
Flávio Bolsonaro chega à decisão com a vantagem numérica registrada pela maioria das pesquisas. Lula chega alimentando a esperança de que a forte mobilização popular dos últimos dias seja capaz de produzir a virada.
Agora, não serão mais pesquisas, manifestações ou redes sociais que definirão o futuro do país. Será o voto.
Neste domingo, cabe ao brasileiro escolher quem receberá a missão — e a enorme responsabilidade — de governar o Brasil pelos próximos quatro anos.Os levantamentos da véspera realmente mostram Flávio numericamente à frente, mas em empate técnico nos principais institutos; também há registro de grandes mobilizações de ambos os campos no encerramento da campanha.