Ao completar um ano desde sua volta à Casa Branca, o presidente Donald Trump transformou sua administração em um centro de decisões que intensificaram tensões sociais e geopolíticas no mundo. A plataforma “America First”, agora manifestada de forma ativa, tem sido associada tanto a medidas econômicas agressivas quanto a intervenções militares e ameaças territoriais, abalando alianças tradicionais e elevando a instabilidade global.
Tarifas como ferramenta de pressão e retaliação
Desde sua posse em 20 de janeiro de 2025, Trump lançou uma série de tarifas que romperam com décadas de cooperação econômica. No centro das recentes tensões está a ameaça de tarifas de 10% a 25% sobre importações de países europeus que se opuseram ao plano americano de adquirir a Groenlândia — uma proposta que Washington transformou em linha dura de política externa.
A medida visa pressionar aliados da OTAN — incluindo Dinamarca, França, Alemanha e Reino Unido — a cederem território soberano rejeitado por seus governos e cidadãos, provocando forte reação política e ameaça de retaliação econômica do bloco europeu.
Operação militar e captura de Nicolás Maduro
O ponto mais dramático da geopolítica trumpista no último ano foi a operação militar em 3 de janeiro de 2026 na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa. A Casa Branca descreveu a missão como parte de sua estratégia para conter ameaças à segurança hemisférica.
Especialistas internacionais veem o episódio como uma ruptura histórica — uma ação sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU com repercussões diplomáticas profundas em toda a América Latina.
Ameaças de anexação e publicações provocativas
Em redes sociais, Trump chegou a publicar imagens que sugerem a incorporação da Groenlândia, do Canadá e da Venezuela como parte dos Estados Unidos — uma provocação simbólica que reverberou em capital político e diplomático global.
Embora Moscou e Pequim sejam frequentemente citadas como justificativas de sua visão estratégica no Ártico, líderes europeus alertam que qualquer tentativa efetiva de anexação destrói os princípios básicos da ordem internacional e pode até fragilizar instituições como a OTAN.
Reações no Ocidente e críticas globais
A ofensiva de Trump tem provocado respostas tanto de aliados quanto de opositores. Na Europa, reforços militares foram enviados à Groenlândia em meio às tensões diplomáticas com Washington.
Religiosos e lideranças internacionais também criticaram a política externa norte-americana como uma possível “retomada de imperialismo”, apontando que métodos coercitivos e intervencionistas — desde tarifas a ações militares — podem contribuir para sofrimento global e instabilidade.
Impactos internos e no comércio global
No plano doméstico, as medidas elevadas pelo governo — especialmente tarifas e confrontos com aliados — geraram reações contrárias até mesmo dentro da base republicana, com parlamentares alertando que tais ações enfraquecem a economia americana e a confiança internacional.
A escalada tarifária global e a ruptura de acordos econômicos tradicionais colocaram mercados em alerta, impulsionando setores de defesa e commodities consideradas “porto seguro”, como o ouro, diante da incerteza internacional.
Conclusão: uma nova ordem global sob tensão
O primeiro ano do retorno de Donald Trump ao poder foi marcado por uma escalada de confrontos — econômicos, militares e diplomáticos — que reacenderam debates sobre soberania, poder hegemônico e a estabilidade das instituições multilaterais que governam o sistema global. A Casa Branca, nesse cenário, passou a operar como epicentro de crises e polêmicas, com repercussões que vão muito além das fronteiras dos Estados Unidos.
O segundo ano de seu mandato promete aprofundar essas dinâmicas, em um momento em que o futuro da cooperação internacional, da segurança coletiva e da economia global enfrenta desafios inéditos desde o fim da Guerra Fria.