Petrobras reduz preço da gasolina, mas consumidores de Porto Seguro não sentem alívio nas bombas

A Petrobras anunciou mais uma redução no preço da gasolina vendida às distribuidoras, como parte da sua política de reajustes alinhada às variações do mercado internacional e aos custos de produção. A medida, segundo a estatal, tem como objetivo tornar o combustível mais competitivo e, em tese, permitir que o valor final chegue mais barato ao consumidor.

No entanto, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, o impacto positivo da decisão simplesmente não chegou às bombas. Apesar dos cortes promovidos pela Petrobras, os preços praticados nos postos da cidade permanecem elevados, sem qualquer redução perceptível para motoristas, trabalhadores do transporte e turistas que circulam diariamente pelo município.

A redução de R$ 0,14 por litro anunciada pela Petrobras para as distribuidoras escancara, mais uma vez, uma velha distorção em Porto Seguro: o benefício nunca chega ao consumidor final. No município, cortes de preços simplesmente desaparecem antes de alcançar as bombas, enquanto qualquer reajuste para cima é repassado de forma imediata e integral. Com a média nacional da gasolina em R$ 5,26, Porto Seguro segue na contramão do país, praticando valores que não ficam abaixo de R$ 7,00 por litro. O resultado é um combustível entre os mais caros do Brasil, onerando moradores, trabalhadores do transporte e turistas, sem qualquer explicação convincente ao consumidor.

A discrepância entre o valor reduzido na origem e o preço final ao consumidor levanta questionamentos sobre a cadeia de distribuição, que envolve impostos estaduais, margens de lucro das distribuidoras e dos postos revendedores. Especialistas apontam que, embora a Petrobras reduza o preço nas refinarias, não há obrigatoriedade legal para que o desconto seja repassado integralmente — ou sequer parcialmente — ao consumidor final.

Em Porto Seguro, a situação gera ainda mais indignação por se tratar de uma cidade turística, onde o custo do combustível impacta diretamente o transporte público, os serviços de turismo, a logística comercial e o bolso de moradores e visitantes. Para muitos consumidores, a sensação é de que os anúncios de redução se tornaram apenas números divulgados, sem reflexo prático no dia a dia.

Enquanto a Petrobras reforça que cumpre seu papel ao ajustar os preços na saída das refinarias, a população segue sem sentir os benefícios prometidos. O cenário reacende o debate sobre a necessidade de maior transparência e fiscalização na formação dos preços dos combustíveis, especialmente em regiões onde o valor na bomba parece imune a qualquer corte anunciado.

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