Caso Banco Master é “Master” até no tamanho do rombo: um escândalo à altura do nome

Se alguém ainda duvidava da força do marketing no Brasil, o caso do Banco Master tratou de provar que, ao menos no nome, a instituição sempre foi transparente. O escândalo é “Master” em tudo: no rombo, nas cifras, nos personagens envolvidos, na quantidade de prejudicados e, sobretudo, na tentativa quase coreografada de transformar um terremoto financeiro em simples tremor administrativo.

As investigações apontam para um buraco que gira em torno de R$ 12 bilhões. Não é erro de digitação, nem pegadinha contábil. São doze bilhões de reais — um número tão “master” que faz qualquer planilha pedir arrego. É dinheiro suficiente para construir cidades, bancar políticas públicas robustas ou, ironicamente, salvar pequenos investidores que agora fazem fila atrás de explicações.

Mas não é só o rombo que é gigante. As figuras que orbitam o caso também são “master”. Executivos de alto calibre, investidores influentes, operadores de mercado acostumados a circular em salões climatizados e reuniões discretas. Quando o elenco é desse porte, o roteiro não poderia ser modesto. É drama corporativo com orçamento de superprodução.

E se o tamanho da cifra impressiona, o esforço para manter o assunto sob controle também é digno de nota. Há um empenho quase “ergúmeno” — para usar uma expressão generosa — em evitar que as investigações se aprofundem demais. Sempre há um recurso, uma nota técnica, um pedido de sigilo estratégico ou uma súbita preocupação com a “estabilidade do sistema”. Afinal, nada mais sensível do que bilhões evaporando sob olhares atentos.

O número de prejudicados também segue a lógica “master”. São milhares de investidores, clientes e credores impactados direta ou indiretamente. Pessoas físicas que confiaram economias de uma vida; empresas que acreditaram na solidez institucional; parceiros que agora se veem enredados em relatórios, auditorias e promessas de ressarcimento que parecem sair mais lentas do que deveriam.

E como todo escândalo de grande porte, este também vem acompanhado de narrativas cuidadosamente ensaiadas. Fala-se em “complexidade do mercado”, em “movimentos atípicos”, em “interpretações divergentes de contratos”. O vocabulário é técnico, quase elegante. O problema é que os números continuam brutos.

Há quem diga que o episódio é apenas mais um capítulo do velho enredo brasileiro em que a criatividade financeira corre mais rápido que a fiscalização. Mas seria injusto reduzir tudo a clichê. O caso Banco Master é especial — ou melhor, é “Master”. Conseguiu reunir, numa única trama, cifras bilionárias, personagens poderosos, disputas judiciais, danos em massa e uma batalha narrativa que tenta transformar o extraordinário em ordinário.

No fim das contas, só um banco com esse nome poderia entregar um episódio dessa ordem de grandeza. Porque, quando o rombo é “master”, as explicações precisam ser igualmente monumentais. E o país, mais uma vez, assiste à aula prática de como o tamanho do escândalo costuma ser diretamente proporcional à sofisticação das justificativas.

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