O que era para ser apenas a realização de um sonho simples — garantir água para a propriedade — pode se transformar em uma descoberta de grande impacto econômico no interior do Tabuleiro do Norte, no Ceará.
O agricultor Sidronio Moreira decidiu cavar um poço em sua terra na tentativa de enfrentar os períodos de estiagem que atingem a região. Para custear o serviço, ele chegou a contratar um empréstimo bancário de R$ 15 mil. No entanto, em vez de água, o que jorrou do solo foi um líquido escuro, espesso e com odor forte, semelhante ao petróleo.
Testes preliminares e suspeita de petróleo
Após a descoberta, amostras da substância foram coletadas e submetidas a análises iniciais. De acordo com informações já divulgadas, os primeiros testes indicam que o material pode, de fato, ter características compatíveis com petróleo bruto.
A área foi isolada de forma improvisada pelo próprio agricultor, que aguarda orientações técnicas. A notícia rapidamente se espalhou pela região, despertando curiosidade e expectativa entre moradores.
ANP vai apurar o caso
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que foi comunicada sobre o caso há alguns meses e que irá apurar oficialmente a ocorrência. Técnicos do órgão deverão realizar análises mais detalhadas para confirmar a natureza da substância e avaliar a viabilidade econômica da possível jazida.
Caso seja confirmado que se trata de petróleo em quantidade explorável, o local poderá passar por estudos geológicos aprofundados antes de qualquer autorização para exploração.
Direito à participação nos valores
Se a descoberta for oficialmente reconhecida e resultar em exploração comercial, a legislação federal prevê compensações financeiras. Pela lei brasileira, o proprietário da terra tem direito a 1% do valor da produção apurada a título de participação nos resultados.
Para Sidronio Moreira, a situação ainda é cercada de cautela. O agricultor afirma que seu objetivo inicial sempre foi encontrar água para sustentar a plantação e os animais. Agora, aguarda a confirmação técnica que poderá mudar completamente o rumo de sua história.
Enquanto a ANP não conclui a análise, a pequena propriedade rural em Tabuleiro do Norte vive dias de expectativa — entre a frustração pela falta de água e a possibilidade de estar sobre uma riqueza subterrânea inesperada.
Apesar disso, somente após análise de um laboratório credenciado pela ANP será possível afirmar que substância realmente é petróleo. A confirmação de que a substância é um hidrocarboneto não configura confirmação oficial de que há uma jazida de petróleo na propriedade nem que é a exploração econômica é viável. Ou seja, não se sabe qual a quantidade, a qualidade e a viabilidade.