Vaqueiro resgatado em situação análoga à escravidão, em Santa Cruz Cabrália, deve retornar ao campo em projeto “Vida Pós Resgate”

O vaqueiro Agnaldo Barbosa dos Santos, 54 anos, trabalhou por dez anos sem receber salários em uma fazenda em Santa Cruz Cabrália, sul da Bahia. Chegou na roça com a promessa de ganhar R$ 680 mensais. Mas, desde então, recebia apenas uma cesta básica por mês.

Agnaldo foi resgatado em 2019 em uma operação de combate ao trabalho escravo. Recebeu um seguro desemprego e foi morar em uma casa na periferia de Santa Cruz Cabrália. Agora terá uma nova possibilidade de voltar à vida no campo, principal desejo dele e dos filhos de 19 e 22 anos (relembre aqui).

Segundo matéria do portal UOL Notícias, parceria entre o MPT (Ministério Público do Trabalho), a UFBA (Universidade Federal da Bahia) e prefeituras, o programa “Vida Pós Resgate” vai trabalhar para reinserir no campo trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão.

O projeto prevê que trabalhadores sejam assentados em fazendas de base agroecológico, modelo que prioriza cultivo orgânico, valoriza a diversidade dos produtos, o trabalho coletivo e o saber local das comunidades rurais.

As fazendas que serão compartilhadas entre as famílias e geridas por associações de agricultores serão adquiridas com recursos de indenizações por danos morais coletivos de ações judiciais movidas contra empresas flagradas com trabalhadores em situação análoga à escravidão.

“Queremos que o dinheiro dos danos morais coletivos seja revestido para os próprios trabalhadores com a compra de terras, máquinas, implementos, dentre outros” afirma Vitor Filgueiras, professor da Faculdade de Economia da UFBA e um dos idealizadores do projeto.

A expectativa é atender a dez famílias de resgatados, inclusive a de Agnaldo Barbosa dos Santos, que vive em Santa Cruz Cabrália.

Desde que foi resgatado em 2019, ele passou a receber ameaças e foi incluído no programa de proteção a vítimas e testemunhas. No ano passado, o muro da casa alugada onde mora foi cravejado de balas e ele, por pouco, não foi atingido.

Ele credita as ameaças ao antigo patrão, que o explorou por dez anos em uma fazenda de criação de gado e produção de eucalipto. Além da falta de salários, o trabalho lhe rendeu problemas de saúde, incluindo dores na coluna com que convive.

No ano passado Agnaldo conseguiu um trabalho na prefeitura local e passou a atuar na coleta de lixo da cidade, o que lhe garante uma renda por mês. Os filhos, com 19 e 22 anos fazem “bicos” como ajudantes de pedreiro.

Mas o desejo dos três é retornar à vida no campo. “Meu destino è voltar para a roça. Eu e meus filhos fomos nascidos e criados no campo. Conto as horas para que esse dia chegue”.

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