Sucessão na Câmara abre a temporada de denúncias e figura da “mala preta”

Mais uma vez a sucessão à presidência da Câmara de vereadores de Porto Seguro provoca um rosário de especulações, com claros objetivos de interferir no processo em curso.

Como já anunciado neste espaço, o pleito sucessório da Casa legislativa municipal, neste ano, tem apresentado ingredientes atípicos.

Primeiro, a intenção de reeleição do presidente Evai Fonseca, fato inusitado na história política do município e vedada pelo próprio RI (Regimento Interno da Casa). Essa obsessão do presidente em continuar comandando a mesa diretora da Câmara, sendo que para tal, teria que alterar o RI, foi determinante para criar outra situação inédita: Porto Seguro será a última cidade da Bahia a escolher o próximo presidente da Câmara. Praticamente, todos os municípios baianos já fizeram suas escolhas.

Na outra ponta do processo iniciou-se a escalada de denúncias e da figura da “mala preta”.

Com relação às denúncias, começou a circular nas redes sociais, nesta quarta-feira, 5/12, inclusive com postagens de documento, indicando protocolo na promotoria e delegacias de policias civil e federal, dando conta de nomeações na Casa Legislativa, de funcionários, cujos altos salários eram devolvidos e rateados entre determinados vereadores. Eureca! Parece novidade, mas não é! O mais simples dos mortais tem conhecimento desta prática, presente em grande parte dos parlamentos do país. A única coisa nova no fato; é a denúncia. Estranhamente e oportunamente às vésperas da eleição na Casa.

Chama a atenção no documento postado também, o fato do servidor que foi denunciado, ocupar o cargo, conforme o documento, de secretário geral da câmara. Como pôde isso? A nomeação para este cargo, acredito eu, ser uma prerrogativa do presidente. Não se trata de um cargo de gabinete, mas de logística da Casa, da sua dinâmica e organicidade. Como pode um servidor com esta função – Secretário Geral da Câmara- ser indicado por vereadores, com a intenção de ratearem seu alto salário. “Neste angu tem caroço”.

E, em relação à “mala Preta”, ícone da corrupção no país; está presente em todos os setores da sociedade, desde uma simples partida de futebol a um cobiçado apoio político; informações dão conta que o agente da mala está desassossegado. As investidas têm sido inúteis, até o momento. Não se sabe a mando de quem e para quem o despachante está agenciando. Entretanto, a sociedade sabe quem é, e quem precisa dos votos para assegurar um legislativo alinhado. O que o mensageiro não descobriu ainda, é que já foi descoberto, delatado e está sendo monitorado pelas autoridades de direito.

Dito isto, o que o cidadão portossegurense espera dos vereadores, cujos mandatos outorgados por nós, se estendem à escolha do presidente da Casa, se mantenham unidos sobre a égide da moralidade, independência dos poderes e correspondam aos anseios da população que, esperançosamente, clama por mudanças efetivas e verdadeiras.

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