Há vários anos, os operadores do transporte alternativo — conhecido popularmente como táxi compartilhado — travam uma luta marcada por esforço, obstinação e diálogo em Porto Seguro. Abraçado e amplamente elogiado pela população, o serviço se consolidou como uma alternativa viável diante da reconhecida precariedade do transporte coletivo urbano no município, garantindo mobilidade, agilidade e segurança a milhares de usuários diariamente.
Mesmo diante de sucessivos entraves políticos e jurídicos, a categoria nunca deixou de buscar a legalização plena e definitiva da atividade. Um dos momentos mais emblemáticos desse processo ocorreu durante a gestão da então prefeita e atual deputada estadual Cláudia Oliveira, quando o município foi inundado por alvarás de operação. Na mesma época, de forma articulada, um projeto de lei foi encaminhado à Câmara Municipal, aprovado pelos vereadores, mas posteriormente derrubado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) por vício de inconstitucionalidade.
Desde então, os operadores do transporte alternativo mantêm uma postura de diálogo permanente, realizando reuniões constantes com a administração municipal e com outras categorias do transporte individual de passageiros, como os taxistas. O objetivo é construir uma solução equilibrada que contemple tanto os trabalhadores quanto a população, que vê no serviço uma resposta concreta às falhas históricas do transporte público convencional.
Durante essas reuniões com o Município de Porto Seguro, a categoria apresentou um projeto de lei estruturado, com foco na legalidade, organização e regulamentação definitiva do táxi compartilhado. Entre os pontos definidos, o projeto estabelece que a tarifa do serviço seja 40% superior à do ônibus urbano, critério pensado para refletir a diferença de custos operacionais, nível de responsabilidade e qualidade do serviço prestado.
Mesmo antes da eventual aprovação da proposta, os operadores decidiram respeitar espontaneamente os parâmetros previstos no próprio projeto, demonstrando boa-fé, compromisso com o poder público e, sobretudo, respeito à população usuária. No entanto, a realidade econômica do setor se agravou.
O transporte alternativo está há mais de quatro anos sem qualquer reajuste tarifário, período em que, apenas nos últimos três anos, houve aumentos expressivos em praticamente todos os custos essenciais: combustível, manutenção de veículos, peças, seguros, impostos e salários. Enquanto as despesas se acumulavam, a tarifa permaneceu congelada, criando uma defasagem que tornou o serviço financeiramente insustentável.
Diante desse cenário, o reajuste da tarifa para R$ 7,00 não representa um aumento abusivo, mas sim uma correção necessária e justa, que permanece dentro dos critérios previamente apresentados no projeto de lei e, inclusive, abaixo do impacto real acumulado pelos custos ao longo dos anos.
Os operadores são enfáticos ao afirmar que não buscam privilégios, mas sim equilíbrio econômico-financeiro para continuar oferecendo um serviço essencial à população de Porto Seguro. Além de garantir mobilidade com segurança e dignidade, o transporte alternativo gera emprego e renda para dezenas de famílias, reafirmando seu papel social e econômico no município.
Em meio a desafios, disputas e interesses eleitoreiros, o táxi compartilhado segue resistindo, dialogando e trabalhando, na expectativa de que o bom senso e a responsabilidade pública prevaleçam em favor de quem move a cidade todos os dias.