Com dois a menos, Porto renasce das cinzas e vira sobre o Serra Branca em tarde épica no Gigante da Feirinha

A tarde desta Quarta-Feira de Cinzas jamais será esquecida em Porto Seguro. No Estádio Agnaldo Bento, o “Gigante da Feirinha”, o Porto Sport Club escreveu um dos capítulos mais dramáticos de sua história ao vencer o Serra Branca por 2 a 1, em partida única válida pela primeira fase da Copa do Brasil.

Foi uma vitória improvável. Heroica. Sobrenatural.

Logo aos 2 minutos de jogo, o primeiro golpe: o jogador Caio Dajuda do Porto foi expulso, deixando a equipe atordoada. Ainda assim, o time tentou se reorganizar. Aos 30 minutos, o Serra Branca abriu o placar e passou a jogar com o regulamento debaixo do braço — afinal, na primeira fase, o confronto é decidido em jogo único e o vencedor segue adiante.

Mas o drama estava longe de terminar.

Aos 35 minutos do primeiro tempo, um lance inacreditável: o zagueiro Everton se desentendeu com o goleiro Mateus Cabral, ambos do Porto, e desferiu uma cabeçada no rosto do companheiro. O árbitro não hesitou. Cartão vermelho. Porto com dois jogadores a menos antes mesmo do intervalo.

Parecia o fim.

O Serra Branca passou a trocar passes de forma protocolar, administrando o resultado. A torcida, apreensiva, ainda assim cantava. E o futebol, esse teatro imprevisível, começou a preparar seu ato final.

Como diria o lendário José Carlos Araújo, o “Garotinho”:

— “Olha o que o futebol apronta, minha gente!”

No segundo tempo, o Porto se fechou como pôde, lutando com raça, determinação e uma resiliência que só os grandes momentos revelam. Cada dividida era como se fosse a última. Cada desarme, uma declaração de amor à camisa.

E então, aos 45 minutos do segundo tempo, quando o relógio parecia sentenciar o destino, surgiu o brilho de Luan. Em jogada individual, deixou marcadores para trás e cruzou na medida. Gol de Breno. Empate. O estádio explodiu.

Mas o roteiro ainda reservava mais.

Aos 49 minutos, já nos acréscimos finais, Luan repetiu a dose. Nova arrancada, mais um cruzamento preciso, e a bola foi empurrada para o fundo das redes por Cezinha. Virada histórica. 2 a 1.

Seria o momento perfeito para ouvir Silvio Luiz gritar:

— “Pelas barbas do profeta!”

Ou imaginar João Saldanha filosofando:

— “O futebol não se explica. Se vive.”

O que se viu após o apito final foi um turbilhão de luz, uma explosão de emoções. A torcida, enlouquecida, cantava sem parar:

“Porto, eu te amo, e meu sangue ferve por você!”

O Porto renasceu como uma fênix — símbolo perfeito para uma Quarta-Feira de Cinzas. Com dois jogadores a menos, contra o regulamento e contra a lógica, escreveu uma jornada épica, jamais vista no Gigante da Feirinha.

O placar final de 2 a 1 garantiu a classificação à segunda fase da Copa do Brasil. Agora, resta à Confederação Brasileira de Futebol providenciar o PIX da premiação, porque, dentro de campo, o Porto já depositou suor, sangue e alma suficientes para merecer cada centavo.

Uma tarde que entra para a eternidade. Um jogo que será contado de geração em geração.

Porque há vitórias.

E há milagres.

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