O cinema brasileiro viveu, neste domingo (10/01), uma de suas noites mais gloriosas no cenário internacional. Em cerimônia realizada nos Estados Unidos, o diretor Kleber Mendonça Filho e o ator Wagner Moura conquistaram o prestigiado Globo de Ouro, coroando uma trajetória de talento, ousadia artística e reconhecimento mundial. O filme O Agente Secreto venceu na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira, enquanto Wagner Moura foi consagrado como Melhor Ator em Filme de Drama, em uma vitória histórica para o audiovisual nacional.
A conquista simboliza, de forma definitiva, a pujança do cinema brasileiro, que já vinha sendo evidenciada no ano passado com o sucesso do filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles. A produção percorreu festivais e premiações ao redor do mundo, acumulando reconhecimentos e consagrando também a atriz Fernanda Torres, agraciada com o Globo de Ouro por sua atuação marcante. Juntos, esses resultados consolidam o Brasil como uma potência criativa capaz de dialogar com o que há de mais sofisticado e relevante na produção cinematográfica mundial.
Mais do que prêmios, essas obras representam um cinema comprometido com a memória, com a reflexão crítica e com a complexidade da história brasileira. Ao abordar, direta ou indiretamente, o período sombrio da ditadura militar, os filmes reafirmam o papel da arte como instrumento de resistência, denúncia e preservação da verdade histórica.
Nesse contexto, o sucesso internacional do cinema nacional também expõe o vazio dos discursos dos extremistas radicais que ecoam movimentos de extrema-direita no país. São grupos que distorcem deliberadamente os objetivos da Lei Rouanet, demonizando políticas públicas de fomento à cultura, e que tentam recontar a história do Brasil por meio de narrativas mentirosas, negacionistas e perigosas. Ao relativizar ou mesmo exaltar a ditadura, ignoram a repressão, a censura, a tortura e o sofrimento imposto ao povo brasileiro naquele período.
As premiações conquistadas por filmes que enfrentam esse passado nefasto são, além do reconhecimento inequívoco do talento e da exuberância do cinema e dos atores nacionais, uma contundente bofetada nos reacionários e golpistas de plantão. Mostram que a verdade histórica, quando narrada com sensibilidade, rigor artístico e compromisso ético, atravessa fronteiras e encontra eco no mundo.
A vitória de Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura não pertence apenas ao cinema, mas à cultura brasileira como um todo. É a prova de que investir em arte, memória e liberdade de expressão não é gasto, é afirmação de identidade, soberania cultural e democracia.